Post forçado

28 06 2007

Nessas últimas semanas o blog só não está às moscas graças aos meus caros leitores que comentaram nesse último post (por sinal, é um dos posts mais comentados do Compilação... interessante como você nunca sabe quando as pessoas vão comentar).

Motivos são diversos e nem sei todos, mas um dos grandes, como sempre, é trabalho. Final de semestre, provas, trabalhos de facul, mas principalmente o estágio, onde o bixo começou a pegar.

The Rubbish Tip - I

Eu não costumava comentar sobre o meu trabalho aqui no blog. Alguns motivos são que o pessoal de lá pode (e espero que venham) vir ler, mas isso só era problema enquanto eu não me sentia parte da equipe. Então isso inaugura uma nova categoria do blog que é trabalho.

Como eu ia dizendo, o bixo começou a pegar. Eu agora estou oficialmente cuidando de terceirizações de fábrica da Itautec. Isso significa que trabalho como uma ponte entre o pessoal que define o que será produzido e pessoas de fora da empresa que, na prática, produzem. Em outras palavras sou o "go-to guy". Faltou peça: manda e-mail para o Pedro. Atrasaram? manda o Pedro cobrar. Nota fiscal com problema? O Pedro liga pro Fiscal das empresas e descobre o que ouve. Claro que ainda não sei fazer tudo, e estou sendo bastante ajudado, mas apesar de parecer que estou reclamando (acho), estou gostando bastante desse serviço. Ele me faz conhecer bastante gente, e de áreas bem diferentes das empresas e dá uma visão bem geral do processo inteiro.

Chuva de e-mails é comum nas grandes empresas, mas essa semana (ainda porque eu não me familiarizei com as pessoas e os jeitos de escrever), tenho ficado a maior parte do tempo lendo, procurando históricos e muitas vezes fazendo perguntas bobas pro meu chefe pra tentar entender o que está acontecendo.

Bom, fora isso (já devem ter percebido, tanto pelo título quanto pela falta de plano, que eu não tenho um tema para o post), fora isso eu comecei o projeto de almoçar cada dia em um restaurante diferente. Com uma ajuda do Rodrigo da minha área, este mês de Julho verá uma variedade gastronômica de quilos/a la carte/etc nunca por mim vista (mas com certeza já vista pelo pessoal do Vale 9 Conto).

Comecei na segunda comendo num quilo de comida oriental o Asia House, da Augusta, lado jardins (me empanturrei de sushi) e na quarta fui num quilo grego, ali do lado dos Jardins, o Athenas (na rua Antonio Carlos, não sei se no nº 303 ou 460). Ambos muito bons, e de preço razoável.

Foto por carf

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Desperdício Mental

15 06 2007
Preciso comprar um gravador de voz.
Não precisa ser um equipamento isolado, pode ser um mp3-player com um microfone, ou um celular que grave mesmo (aliás, essa é a melhor opção). Motivo? Pela octagésima vez, hoje, pensei em temas interessantes para postar, enquanto estava no metro e andando na rua, e me esqueci quais eram. Um deles era sobre uma menina que passou no caminho cantando alto, e fazendo um monte de gente sorrir pelo caminho dela, o que ia ser um pedaço de um post sobre algo que eu estava pensando na hora, e vinha pensando desde o metrô, mas que eu esqueci o que era. E era um post legal, eu já estava até formulando frases engraçadas... Odeio perder esse trabalho intelecutal.

Já fiz um esforço para evitar esses desperdícios mentais: tento andar com um caderno e uma caneta na mão. Também já quase me matei no carro tentando escrever enquanto dirigia. Escrever andando também não é muito saudável. No metrô até rola, mas aí fica a questão: o que é mais estranho, pegar seu celular dentro do metrô e murmurar algo nele, ou abrir um caderninho e fazer anotações. Acho que das duas formas você fica com cara de pessoa metódica demais (ao ponto de parecer meio louco).
Bom, isso será uma das especificações do meu próximo celular, então se você me ver na rua com o celular na mão dizendo: "Nota: post para blog - blah blah blah", não se assuste, estou evitando desperdício e ajudando no meio ambiente da blogosfera.
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Mais Sobre Universidade e Política

03 06 2007

Eu sei que estou ficando repetitivo, e que não costumo postar várias vezes sobre o mesmo assunto, mas anda difícil fugir dessa grande balbúrdia que está armada na minha faculdade.

Recebi um e-mail muito bom do Oshiro, que mostra bem o que a mídia está tentando fazer, se aproveitando da bagunça armada por alguns irresponsáveis (espero que sejam só irresponsáveis, porque senão estão sendo imorais).

Vão aqui alguns destaques, e na extensão do artigo vai a íntegra:

  • "Estou escrevendo porque se a revista Veja tem o direito de publicar uma reportagem que passa uma imagem negativa da USP, então eu tenho direito de mostrar números que contradizem o que foi dito"
  • Verba anual da USP: R$ 1.958.978.296,00

    Número de alunos de graduação: 80589
    Número de alunos de pós-graduação: 25007 (mestrandos: 12706 doutorandos: 12301)

    Fica óbvio que o custo de um aluno (seja ele de graduação ou de pós-graduação) é de: R$ 1.545,97/mês
  • É um custo alto? Sim. É exorbitante? Não.
    Vamos lembrar que estamos falando de cursos variados, desde um curso de Administração, que envolve basicamente aulas e palestras, até um curso de medicina, que necessita de um hospital inteiro para funcionar.
  • Argumento Principal: Com esse dinheiro, a USP faz muito mais do que dar aula para seus alunos. Aqui vai um resumo:
    • Cursos extracurriculares 604
      Participantes 29.203
    • Eventos científicos e culturais 8.450
    • Museus: 5
      visitantes: 1.140.873
    • Hospitais: 2 (com tratamentos gratuitos para a comunidade)
    • Escola de Aplicação
    • Estação Ciência, CEUMA, Cinema (CINUSP), Orquestra (OSUSP), Centro de Difusão Científica e Cultural, A Universidade e as Profissões, Universidade 3ª Idade
  • Isso sem contar a produção científica (dava pra gastar o orçamento da USP inteiro só nisso)



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Eficiência do Serviço Público

01 06 2007

Só para dar um exemplo de porque eu não tenho a mínima vontade de lutar por aumento de salários dos funcionários públicos da USP:

Mensagem original:

De: Pedro Felipe Angelini
Enviada em: sexta-feira, 1 de junho de 2007 09:40
Para: Serviço de Pós-Graduação da EPUSP
Assunto: Matérias de pós como optativas de graduação

Bom dia,

Fui informado no serviço de graduação que é possível cursar matérias de Pós como optativas na minha graduação, e que para isso deveria solicitar com vocês a matrícula.

Eu gostaria de saber como faço isso, e mais importante, quais são as datas para fazê-lo para o segundo semetre.

Obrigado,

--
Pedro F. Angelini

Resposta do Serviço de Pós Graduação:

Consultar: www.poli.usp.br

Nem sequer tem assinatura da pessoa (não que eu não saiba quem é, está no "De" da mensagem). Pense comigo: você é o chefe de uma pessoa assim. Ela entra no seu escritório e diz: "Quero um aumento ou senão eu vou para a minha casa e não venho trabalhar nos próximos dias". O que você faz?


Greves e Ocupação

01 06 2007

Ok, eu podia ter escrito sobre isto antes, mas essas histórias de greve na usp me irritam de uma tal maneira, que tenho evitado até de pensar nisso.

Não tem sido difícil, porque, como é de conhecimento geral na comunidade uspiana, "A Poli não Pára".

Mas, as pessoas fora da USP às vezes me perguntam coisas, e eu me sinto na obrigação de estar pelo menos levemente informado.

Bom, minha opinião, este ano como nos outros é a mesma: um bando de pessoas nada sérias está no comando, e só isto já deveria ser o suficiente para ninguém mas apoioar esta balbúrdia.

Concordo que isto é um pouco radical da minha parte, então, para quem não tem vontade de colocar um princípio na frente de coisas mais mundanas, fui dar uma olhada nas ditas coisas, ou seja as reinvidicações dos meus colegas.

O Carro Chefe dessa greve/ocupação são os decretos do Serra (pelo menos oficialmente, veremos semana que vem isso). Então vamos lá, qual é o conteúdo desses decretos? Basicamente, a criação da nova secretaria do Ensino Superior, obrigação de prestação de contas em tempo real. O resto dos decretos não se aplica à Universidade.

Os últimos argumentos dos ocupantes da reitoria (que podem ser lidos aqui) são que a publicação dos decretos:

  • não constava do programa de governo de Serra, nem foi levantada em sua campanha eleitoral;
  • não houve discussões prévias com a comunidade uspiana;
  • sua necessidade para aprimoramento do ensino é das mais discutíveis no caso da USP, que estava mantendo a excelência de sua produção acadêmica e vinha expandindo vagas;
  • além de aparentemente desnecessário, o decreto continha graves lacunas e imprecisões, só sanadas com as alterações efetuadas depois da promulgação.

Ou seja: ninguém me avisou, eu não entendi, e agora que eu entendi não tenho nada contra a falar.

O que me leva de volta ao "pelo menos oficialmente". Já vi várias greves na USP, e todas elas se resumem às mesmas coisas: funcionários querendo aumento de salários, professores querendo melhoras na estrutura e aumento de salários, e alunos (principalmente moradores do CRUSP) pedindo melhoras na condição da moradia estudantil e nas faculdades "menos priorizadas" e aumento de salários. Quer dizer, não aumento de salários porque eles não ganham salário, mas se ganhassem estavam pedindo, pode ter certeza. Basicamente, as greves todas acabaram com (pasmem) um aumento de salários.

Alguém pode argumentar que o aumento de salários é uma causa justa para se fazer greve, e que a Universidade Pública tem que ser mais bem tratada. Concordo, tirando que, vários desses funcionários e professores que estão pedindo aumento de salários são, na verdade uns vagabundos (digo isso sem dó nem pena, porque dependo deles e convivo a 5 anos com eles) que vivem na vida mansa e nem sequer estão indo a piquetes, greves, assembléias e etc, e vão se aposentar e serão sustentados pelo resto da vida com nossos impostos.

A Universidade tem que ser bem tratada sim, e o melhor jeito é mantendo uma transparência e um controle externo, não intervencionista, mas questionador das políticas aplicadas dentro da Universidade, que é o que os decretos do Serra estão proporcionando.

Finalmente, para quem quer saber um pouco mais, pode entrar nesta página do Estadão, com um resumo sobre os decretos, e no Blog da Ocupação, para um pouco de hipocrisia matinal.

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