MEGAPOST

23 04 2006
[eau2006]

Muito atrasado, eu estou começando a colocar aqui os diários dos Estados Unidos que faltam. Este em particular eu escrevi no trem, de Savannah para Deerfield Beach (sim, a praia do campo do veado), que é onde moram minha tia, tio e primos.

Washington DC - dias 5 e 6.

Tivemos uns dias bem cheios, por isso me atrasei bastante nos relatos diários. Bom, aqui vão. Estou escrevendo do no trem de Savannah até Deerfield Beach, que é perto de Miami, e onde minha tia mora. Esta é nossa última viagem de trem por aqui, acho.

Chegamos em Washington DC na terça feira, lá pela hora do almoço. Pegar o trem foi tranqüilo e nossos lugares eram muito bons. Tudo ótimo. Fomos para o hotel, que na verdade se chama Georgetown Suites. Fica em um bairro residencial, mas que tem muitos restaurantes, hoteis e bares. Nosso quarto, era o que eles chamam de Suite aqui, com um quarto de dormir, uma sala com sofá-cama, banheiro e uma cozinhasinha, acho que é o que chamamos de "flat" ai no Brasil. Chique

Saímos mais tarde pra passear, cansados como estávamos do dia anterior em NY e da viagem, e vimos os principais pontos turísticos: Casa Branca, Reflecting Pool, Monumento a George Washington, etc. Voltamos ao hotel e comemos uns pratos de comida pronta (daquelas de microondas) e fomos dormir.

No dia seguinte, nem imaginávamos o que nos esperava. Tínhamos que fazer check-out até o meio dia, mas nosso trem só saia às 7:30 PM, então deixamos nossas malas no hotel e fomos passear de novo. Vimos a Galeria Nacional de Artes, muito bonita e muito grande, e depois fomos almoçar. Pegamos as malas e fomos de taxi para a estação de trem. Foi ai que o pesadelo começou.

O Pesadelo - viagem de Washington DC até Savannah

Quando chegamos para despachar nossa bagagem, recebemos com muita supresa a notícia que se resumiu no seguinte curto diálogo:

- Your train's not running today. - What?! - Yeah, it's been canceled. - What??!?!
Bom, o que aconteceu, aparentemente, é que a compania de trem teve problemas em uma ponte, ou, outra versão, foi que um muro tinha desabado sobre os trilhos, e por isso não havia trens na linha inteira. Bom, ficamos então com a junção das duas versões: um muro desabou sobre uma ponte no nosso caminho! Ta bom, isso não faz muito sentido, mas tb não faz sentido cancelarem uma linha inteira de milhares de quiômetros por causa de um só trecho...

Ok, então o que fazer? Nosso hotel em Savannah já não podia mais ser cancelado sem pagarmos as taxas. Nós pegamos nosso dinheiro de volta e fomos para a estação de ônibus. Antes tivessemos ficado mais um dia em Washington...

Pra começar, a correria de pegar o dinheiro de volta e comprar as passagens. Fomos os últimos a entrar no ônibus, que não tem lugar marcado, então ficamos em lugares espalhados. O Julio deu a "sorte" de sentar do lado de um folgado que ficou pedindo doces pra ele e depois passou a pedir dinheiro. Pra verem o tipo de pessoa que viaja de ônibus aqui nesse país.

Mas isso foi fichinha perto do que passamos na primeira parada.

Nosso ônibus pegou muito trânsito por causa de um "BIG ACCIDENT" em uma rodovia, e ficamos parados 2 horas quase no mesmo lugar, em um trecho da viagem que deveria durar 2 horas! Por causa disso, perdemos nossa conexão com outro ônibus (sim, não existe ônibus direto longa-distância nesse país). Como isso aconteceu com muitas pessoas, a estação de ônibus ficou muito lotada. Chegamos nela lá pelas meia noite, e nosso ônibus ia sair às 3 horas. Fizemos fila logo para pegarmos bons bancos e sentarmos todos juntos. Mas quando foi dando 2 horas da madrugada, o pessoal começou se amontoar perto da porta e a querer passar na nossa frente. Ai começou um empurra-empurra desgraçado que só acabou quando conseguimos entrar. No meio dessa bagunça, uma gorda folgada com uma bolsa de couro vermelha gigante ficou pelo menos 45 minutos me empurrando, e quando estavamos na porta, um outro gordo passou mal e quase desmaia em cima de mim! O Julio também foi esmagado e quase caiu uma hora, o que seria pisoteamento na certa e minha mãe quase não consegue levar a bolsa de rodinha que ela estava cuidando.

Momento de recordações raivosas:

Esses americanos são muito burros quando qualquer coisa sai do "standard" deles. A estação lotou e não teve um puto pra formar uma fila direito. Em vez disso, eles todos ficaram do lado de fora, com uma cara de que estavam fazendo o trabalho deles e que-se-foda. Quando o cara passou mal atrás de mim, eu pedi por ajuda e só faltou o cara da empresa de ônibus rir da minha cara, até perceber que eu tava falando sério. Queria ver alguma coisa realmente ruim acontecer pra ver a cara daquele ***.

...fim do momento de recordações raivosas.

Bom, no fim das contas conseguimos pegar ônibus e sair quase 4:00 AM de Richmond, que foi onde tivemos que trocar de ônibus. Finalmente chegamos a Savannah, ja era mais de meio dia, então, fazendo as contas, ficamos quase 18 horas viajando muito desconfortavelmente pra dizer o mínimo. Deu pra ver como estamos anos-luz à frente deles no que diz respeito a direitos do consumidor. O máximo que as pessoas conseguem pensar aqui é "get my money back", sendo que qualquer um no Brasil estaria pensando em pegar o dinheiro de volta, conseguir que a empresa pagasse um hotel, ou mesmo que a própria empresa de trem organizasse as viagens de ônibus, ou levasse os pssageiros o mais perto que ela pudesse do seu destino original. E eu acho que a ponte que deu problema nem era entre Savannah e Washington DC...

Ficam os conselhos:

SEMPRE confirme sua passagem antes de fazer check-out do hotel - se tiver problemas voçê pelo menos garante local pra dormir

NUNCA pegue ônibus entre cidades nos EUA, a não ser que isso seja extritamente necessário. É tão caro quanto o trem e é muito ruim, bem pior que no Brasil. Alugue um carro ou vá de trem ou avião.

Bom, pra acabar a odisséia, Savannah é uma cidadesinha sem nada pra se fazer. É um porto histórico e parece que tem uns Pubs a noite, mas cansados como estávamos e tendo que pegar outro trem no dia seguinte às 6:40, não tínhamos condições de sair a noite... Demos uma volta, voltamos para o hotel e fomos dormir 8 horas da noite.

Hoje estamos vamos ficar o dia inteiro no trem, indo de Savannah até Deerfield Beach, onde mora minha tia, perto de Miami.

O trem, como eu já disse, é em confortável, pelo menos. Não tem serviço de "aeromoça", mas tem vagão restaurante. Acho que vai ser bem sossegado, e vai ter poucas fotos, então não vou ter muitas notícias. Na verdade espero que não tenha muitas notícias mesmo, e que seja uma viagem tranqüila. Chegando na casa da minha tia vou tentar colocar esse texto na internet, junto com as últimas fotos.

Versão Real do que aconteceu:

Primeiro: nosso trem foi cancelado por causa de ufos mexicanos, que acidentalmente teletransportaram-se da Cidade do México para uma ponte. Vimos sobre ufos mexicanos na TV um dia antes, e essa história de muro caindo em cima de uma ponte não engana ninguém.

Segundo: Quando estávamos na estação de ônibus, antes de ela se superlotar, um dos operadores anunciou um código. Foi mais ou menos assim: - All operators, code 405, code tchh** Fourrr OOOOh Fiiii.... hhhaaahhh (estática) Descobrimos, por indução, mais tarde que o código 405 é o código de evacuação da cidade para ataques de zumbis. Tendo assistido Madrugada dos Mortos, nós sabemos que não dá pra fugir dos zumbis a pé, pois uma mordida te transforma em zumbi também, por isso toda a população daquele fim de mundo foi para a estação de ônibus, e esperava a evacuação. O cara que quase desmaiou atrás de mim, na verdade tinha sido mordido e estava se transformando, mas, dado seu tamanho muito avantajado (eu digo MUITO AVANTAJADO) ele resistiu o suficiente, e com certeza foi usado de isca para manter longe dos portões os zumbis em quanto saíamos.



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Comentários

Exibir comentários como (Seqüencial | Discussão)
23 04 2006
#1 Vinícius (Responder)

Não sabia da falta de cultura dos italianos em omitir a letra X da grafia de "expresso"! (na verdade, ainda não cheguei na aula sobre café...)
Ainda na América? que blz... e eu com minha prova de ppcp (planejamento, programação e controle da produção). o nome é pomposo, a matéria é difícil.

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