Oh nine, Eff Nine

05 05 2007

Alguns dos meus leitores não fazem parte da media "geek" (ou nerd, é só um termo mais bonitinho), então talvez não tenham visto o que aconteceu esse semana. O Digg, um site onde você pode colocar links para artigos que você achar interessantes, após receber uma "cartinha" da AACS LA, representante das grandes gravadoras, removeu diversos links para sites que continham esse pedaço de código:

09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0

E o que é esse código? É uma chave de criptografia usada na codificação de HD-DVDs, que torna possível copiar os discos. Usar ou divulgar essa chave é ilegal nos EUA, segundo este artigo do MediaShift (que aliás é um ótimo site para quem se interessa em como os meios de comunicação estão evoluindo).

O que os usuários fizeram? Coisas como isto, isto, musiquinhas, um grupo no flickr, ou até uma versão Star Wars do código!

 09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0 (by pedro.custodio)

Uma verdadeira comoção, que se espalhou além do Digg, e fez com que o site se "rendesse" aos usuários e parasse de deletar o conteúdo ilegal.

A mídia impressa americana também noticiou o "evento", mas aqui no Brasil, até agora só vi alguns posts em blogs.

Muitos "conservadores" argumentam que os usuários e formadores de opinião devem começar a tomar cuidado com esse tipo de manifestação (reparem que o artigo do MediaShift não inclui o código), e talvez até se auto-censurarem: algo como não filmar o cara que invade o campo pelado para ele não ter a publicidade do fiofó grátis.

Outros argumentam que a indústria de mídia é decadente, e que se apega desesperadamente em legislações antiquadas para tentar salvar seu patrimônio intelectual. Por isto, segundo eles, esse tipo de manifestação se tornará cada vez mais comum, até que as leis de propriedade intelectual (nesse caso, no sentido de Copyright) sejam mudadas e permitam cópia entre usuários de uma rede.

Minha opinião está mais com o segundo grupo, mas com alguns poréns. O primeiro é que eu não acho que a indústria fonográfica e de mídia "convencional" vá para o buraco por causa da Internet. Ao mesmo tempo que a Sony inventa um novo sistema de proteção de músicas para seus mp3 players, ela deve ter pelo menos um belo time de advogados, um de marqueteiros e um de engenheiros quebrando a cabeça para descobrir como faturar alto nesse novo mundo. E não se enganem: eles vão descobrir, e muito provavelmente antes dos outros, pois têm recursos.

Outra coisa é que as leis devem mudar sim. A situação, como está é bastante insustentável. Não é possível manter um sistema onde qualquer juiz ou legislador tem, se não dentro de casa, na casa do irmão, primo ou vizinho, um contraventor. A Lei Seca americana é um exemplo disso.

Mas enquanto esse futuro não chega, eu continuo baixando músicas na Internet (sim, você não), e também comprando CDs nas lojas. Me parecem duas coisas bastante civilizadas de se fazer.

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Comentários

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05 05 2007
#1 Sergio lima (Responder)

Olá Pedro!

A repercussão aqui foi menor que lá fora, por questão de escala... a blogosfera aqui é muito menor :-(

Eu vou continuar comprando os cds e dvds que eu iria comprar mesmo. Os que eu não compraria, vou dar uma espiada nos "bittorrents da vida"! O que eu não vou nunca fazer é ganhar dinheiro com propriedade intelectual alheia!


O que os "dirigentes" das industrias de bens cultuais não entendem é que já estamos na Era da Informação! Logo o "modus operante"da Era Industrial te que mudar! Simples (?) assim!


[]'s


[]'s
15 05 2007
#1.1 Pedro (Responder)

Sergio,
concordo que o jeito que as coisas vão (queiram ou não a indústria e o governo) funcionar daqui em diante não é o mesmo da Era Industrial. A questão é a seguinte: vivemos em regimes com, pelo menos, algo de democrático, então, a princípio, podemos mudar as regras de convivência que temos escritas e chamamos de leis - e isso nos tira a desculpa de ferí-las por elas serem ruins.
Eu acredito de verdade que, se uma lei é (ou se torna) errada, deve ser mudada, mas que até ela ser mudada, não deve ser desrespeitada. Por exemplo, tento me controlar e andar a 120 km/h em uma rodovia e com um carro que me dão segurança de andar a 140 km/h tranquilamente. O problema é que não existe motivo, além de um mando de um legislador eleito e não-profissional para o valor da velocidade máxima ser de 120 km/h. Da mesma forma, não foram (e não acho que serão) feitos estudos sérios sobre alternativas para Copyright ou distribuição de mídia pelos legisladores que vão decidir as regras para o futuro.
Torço para que seja verdade, mas as vezes fico me perguntando se esse tipo de iniciativa (de pegar e escrever num blog sobre o assunto, ou conversar com os amigos da faculdade) realmente pode fazer a diferença.
15 05 2007
#2 Vitor (Responder)

A música é muito boa! Tem que por mais ênfase nela.

Agora comentando: conheço 2 (DUAS) pessoas que não usam software pirata e só ouvem musicas das quais tem o CD. Ninguém mais (ok, exceto pessoas que absolutamente não usam computadores...).
Mas acho que é viável, com Microsoft Academic Alliance dando XP e Vista de graça, e 3 licensas de Office 2007 por 399 reais a parte do software fica resolvida. Resta o problema com as músicas. Vc sabe quanto custa um download autorizado num site de venda online de musicas?

Abs,
vitor
15 05 2007
#2.1 Pedro (Responder)

Não sei dizer quanto custa. Acredito que para nós (começo de carreira, cursando faculdade pública, etc) é até factível "legalizarmos" as nossas músicas, pelo menos se tivéssemos um tempo de "lambuja".
Agora, e a massa de verdade, a classe média que paga aluguel, e tem prioridades muito maiores do que comprar cultura. Será até que essas pessoas teriam vontade de comprar suas músicas? Ou será que, se tirassem todos os MP3 hoje delas, elas não iam passar a desistir de ouvir tanta música quanto ouvem hoje. Será que elas iam mesmo comprar mais CDs? Ou será que a indústria fonográfica já não está dependente das nossas piratarias?

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