Fim de semana Umbro

06 03 2006
[diario]

Acabando com os atrasos em postagens, vou contar o meu fim de semana. Sábado e domingo, teve sede no Circolo Italiano, no Edifício Itália, uma Convenção de Jovens Umbros da América Latina.

Mas o que são Jovens Umbros? São pessoas de tenra idade, com origem familiar na Ubria, que é uma região Italiana, que tem, entre outras as cidades de Perugia e Assis, de onde vem o São Francisco. Não o rio, o santo mesmo.

Bandeira da Umbria

Bom, para uma convenção de jovens, eu tenho que dizer que a idade média era bastante elevada. Entre os brasileiros, estava uma maioria de por volta dos 20 anos, mas o pessoal dos outros países tinha vindo junto com as diretorias das associações Umbras (que organizaram o evento), e por isso quem passava não dizia que aquilo era uma convençao di giovani...

Eu me surpreendi com a minha capacidade de estar no lugar errado na hora errada esse final de semana. Cheguei por volta das 10h05, e fui o último jovem brasileiro que chegou antes dos estrangeiros... tenho a impressão que foi por isso que me chamaram para fazer parte da mesa, como Representante dos Jovens Umbros Brasileiros.

Eu não faço parte da associação Umbra daqui, e nem sabia direito o que raios era aquela reunião, simplesmente fui jogado ali no meio de pára-quedas mesmo. Passado o primeiro trauma, as coisas estavam indo bem sentado ali na frente, porque eu só estava ouvindo os outros falarem, como todo mundo, mas a hora que eu temia finalmente chegou... me passaram o microfone. Pânico, Medo, Suor Frio pela Espinha. Vamos lá, Fala Alguma coisa. Eu estava pensando em algo para falar caso isso acontecesse, e então tentei: comecei a "falar" em italiano.

Meu italiano não é muito sólido, mas em geral eu consigo falar uma coisa ou outra. Não sei se foi o fato de ter ouvido coisas em espanhol, que sempre me confundem muito, ou se foi o nervosismo de estar lá na frente sem saber o que falar, mas o fato é que não saiu nada direito. E pior, preocupado em como falar as coisas, eu não consegui me concentrar no que falar, e ai já viu...

O que mais deu raiva foi que, depois, todos os representantes do pessoal dos outros países falou em castelhano... Bom, pelo menos eu tentei.

Esse foi o pior de tudo, depois disso as coisas melhoraram. Percebemos que os argentinos tem uma organização MUITO superior à nossa (ah, sim, eu fui perguntar qual era a "nossa" organização depois). Eles basicamente queriam ratificar os pedidos que eles tem pra fazer para administração da região Umbra como pedidos da América Latina, mas para nós isso é até bom, porque pode impulsionar alguns projetos aqui no Brasil também. Como eu tinha sentado ali na mesa, todo mundo estava achando que eu era algum representante oficial da associação, e ficaram sempre olhando pra mim quando diziam que os Jovens Umbros do Brasil também concordavam, mas fazer o que? Eu acenava um sim, e vamos tocando.

Mais a noite teve um jantar da associação, também lá no Circolo, e comecei a ver como funciona a política dessas associações. Ontem nos reunimos de novo para ratificar tudo o que tinha sido feito e para almoçarmos de novo.

No fim das contas foi um bom final de semana, apesar dos micos. Conheci um pessoal interessado e vamos tentar nos organizar para ver o que podemos fazer. Também comi bastante, então não posso reclamar.


Atraso e Sangue

06 03 2006
[diario]

Ando muito atrasado com as coisas... uma delas é escrever aqui no blog. Tenho assuntos desde quinta-feira para postar!

Bom, então vamos lá. Quinta-feira passada fiz duas coisas legais, mas que me trouxeram problemas. A primeira foi uma reunião com meu ex-orientador de estágio, que me propôs escrever um artigo para a RBEB (Revista Brasileira de Engenharia Biomédica) a propósito do meu trabalho. Isso é muito legal, porque vou ter um certo reconhecimento, ganhar alguma coisa além da experiência de trabalho e bolsa. Mas é um problema porque preciso escrever o artigo, e pra isso preciso de tempo...

A outra coisa foi que, voltando da usp, fui doar sangue no posto da Pró-Sangue no Hospital Dante Pazzanese. Doar sangue é uma coisa que eu gosto de fazer. Além de ser uma coisa boa a se fazer, de você estar ajudando alguém, é rápido, as pessoas que te atendem sempre são simpáticas, e tem lanche no final!

Prove que seu sangue passa pelo coração. Doe.

Dessa vez não foi muito diferente das outras que eu já tinha ido: fiz tudo em menos de uma hora. Você chega no lugar, pedem seus dados pessoais, depois você vai fazer um exame para verificar se você não está anêmico (acho). Essa era a hora que eu menos gostava, porque é aquele exâme que te fazem um furinho no dedo, e isso sempre ficava me incomodando mais do que o lugar onde eles põe a agulha pra tirar o sangue. Mas dessa vez, a simpática enfermeira fez um furo tão de leve, que nem ela conseguia tirar sangue para o teste. Ela teve que ficar espremendo meu dedo pra tirar as duas gotas que ela precisava. E depois nem ficou incomodando. Depois disso você passa por uma entrevista, que eu sempre acho muito engraçada. Te perguntam coisas como quantas parceiras sexuais você tem (uma), quantos parceiros (zero), se você bebeu nas últimas 24 horas (não), se você andou se drogando na última semana (não), se prostituindo (hmm... hoje é quinta?.... não), etc. É engraçado. Depois é que veio a parte chata. Eu geralmente não tenho problemas com agulhas, nem em ver meu próprio sangue nem nada, mas dessa vez a enfermeira foi mal... Não sei o que ela fez, mas meu braço ficou doendo até o dia seguinte! Geralmente você sente a picada da agulha no braço e mais nada, mas dessa vez acho que ela errou a veia, e ficou procurando mexendo a agulha... Bom, não mata ninguém, nem ficou hematoma, mas não foi divertido... ainda bem que o outro cara que estava doando sangue ao mesmo tempo não quis o lanchinho dele e eu pude comer dois!

Mas isso não é regra, e eu não quero assustar meus leitores. Essa foi a única vez que me aconteceu isso (do lanche e da agulhada dolorida). Em geral as enfermeiras são muito gentis e boas e a doação é indolor.

Post Scriptum: quatro dias depois de doar sangue, um hematoma apareceu na região da agulhada... enfermeira açougueira...


Coçador de Cabeça e Gatinhos

02 03 2006
[???]

Coçadores de Cabeça, ou Massageadores de Couro Cabeludo. Ganhei um de natal do Julio ano passado. Gatinhos japoneses da sorte (ou seria saúde?). Ganhei um par a quase 3 anos, o primeiro presente que a Ka me deu. O que terão eles em comum, além de terem sido presentes? Eles estão juntos em cima do meu gaveteiro do quarto, mas o que os une de verdade? O material dos deles é diverso: um é feito de arame e madeira (e bolinhas de estanho, sempre me lembra o Julio, bolinhas de estanho na ponta que ajudam a sarar dor de cabeça), e os outros são de cerâmica pintada.

Mas talvez eu tenha perdido o leitor a um tempo atrás. Para quem não sabe, massageador de cabeça é uma peça um tanto quanto esquisita, que é usada por (pasmem) massagistas. Ela é composta de vários arames curvos, quase formando uma esfera, mas que são presos somente por um dos seus polos, digamos o norte, sendo que ao se chegar ao círculo polar sul, os arames acabam. Sobra então um buraco, onde se enfia a cabeça. Os arames entortam e as pontas raspam no seu couro cabeludo, propiciando uma sensação bastante estranha, que a maioria das pessoas acha relaxante depois do primeiro contato.

Os Gatinhos Japoneses são, como o nome diz, dois gatinhos felizes de cerâmica, com algo escrito em japonês neles, que eu não me lembro exatamente o que quer dizer. Eles também têm marcações verdes, que também significam algo, mas que eu também não me lembro. Eles acenam para os passantes e seus olhos são luas viradas pra baixo.

E o que eles têm em comum, afinal? Aparentemente nada, mas finalmente, são objetos de origem oriental (pelo menos esses são originários da Liberdade, que está mais a oeste de onde eu estou), e são feitos para trazer a quem os têm uma sensação boa.

E que raios este post está fazendo aqui? O que isso significa? Isso não passa de um exercício para ver quanto eu consigo escrever sobre um assunto a princípio sem sentido. É... quem lê o blog hoje sem ter visto a primeira descrição dele se espanta, mas ela dizia algo como: "Um lugar para eu anotar as coisas".

Mas de tudo isso saiu uma reflexão interessante: Eu tenho uma coleção de coisas sem nexo que eu fui ganhando com o tempo no meu quarto.

  1. Coçador (massageador) de cabeça;
  2. Coçador de costas;
  3. Painel de chapas de aço penduradas em cabos de aço esticados e que tocam diferentes notas (tanto os paineis quanto os cabos), mas que não servem para música, e sim para colocar fotos;
  4. Ímãs do painel arrancados de HDs (são mó fortes!);
  5. Ferrinhos de prender folhas de fichário, arrancado de um fichário que virou pasta de notebook, presos em um cabo de aço do painel também (assim como o coçador de costas);
  6. Totem (pequeno) em acrílico, com os dizeres "Saúde" em japonês ou chinês impressos dentro por alguma técnica a laser;
  7. Gnomo de nome esquecido, sentado num tronco com um papelzinho que diz "Alto Astral", entre dois cogumelos;
  8. 5 CDs com, sobre eles colados, 5 papeis que apresentam cada um um camaleão e um pingüim;
  9. Porta-cartões que tem um compartimento de bolinhas de plástico que tem uma das paredes de vidro que todos sempre querem puxar e acabavam deixando cair as bolinhas, até que eu colei o vidro com Super Bonder;
  10. Resto do HD do qual foram arrancados os ímãs do item 4;
  11. Ferramentas diversas e escassas;
  12. MUITOS pedaços de computador quebrados e desmontados
  13. Torre Eifel (miniatura);
  14. Bandeira do Brasil (miniatura);
  15. Segurador de partituras;
  16. Apoiador de pé para tocar violão clássico;
  17. Apontador de lápis metálico em formato de cômoda com um cachorro em cima;
  18. Llama;
  19. Mapa da Argentina em couro;
  20. Chapéu de Abrolhos com uma baleia bordada;
  21. Minitabuleiro de Xadrez;
  22. Garafinha cheia de pedras;
  23. Algumas pedras fora da garrafinha;
  24. Luminária de chão inteiramente disposta no chão, em dois pedaços distintos, e
  25. Pinóquio de Madeira que foi meu primeiro brinquedo, e que tem o nariz removível.

Que tal? Eu disse reflexão boa mais acima? Acho que eu ando meio obcessivo... minhas desculpas a quem chegou até aqui.


Polegar para cima!

Aproveitando pra ressucitar o quase morto Polegar para Cima, eu quero recomendar um blog que me foi apresentado pelo Vitor, o Once Uppon a Dreamer. Além de ter um conteúdo de muito bom gosto, engraçado e bem escrito (nossa, soa chique dizer "bom gosto né?), ele tem um template muito legal, cheio de "gadgets" e coisas legais de blog.


'Força de Vontade' ?

28 02 2006
[filologia]

Filo: gostar, logos: palavra, verbo, conhecimento humano. Filologo, ao meu ver, é aquele que gosta de entender as palavras, de onde elas vieram e como elas evoluem, tendo em vista que as palavras são, não só a maior limitação, como também o próprio material do pensamento, do entendimento.

Há uma coisa que eu percebi já faz tempo, mas, vez ou outra, encontro gente que não sabe. Não por ser alguma coisa complicada, mas porque as pessoas têm muito costume de parar pra pensar. É a diferença entre ter vontade e querer. É engraçado, porque isso é uma coisa tão simples, que basta qualquer um ler a frase anterior pra perceber, e passar a falar e agir diferentemente. Óbvio: querer é uma ação consciente, ter vontade é mais próximo de um instinto, de uma sensação. Ter vontade é ouvir, querer é escutar. E então porque raios a expressão é "ter força de vontade". No fundo, essa expressão significa querer algo do qual você não tem vontade. Deveriamos dizer "ter força contra a vontade" ou pior, "ter força de querer". É muito estranho dizer dessa forma, mas é muito interessante pensar em porque nós falamos "força de vontade". Eu consigo pensar em três motivos: o primeiro estético, força de vontade soa melhor que as outras formas. O segundo, pode ser que que a expressão seja traduzida, e acabou ficando assim: há línguas que não diferenciam as duas palavras. Mas o terceiro motivo é o que eu mais acredito, apesar de ser o mais preocupante: a expressão é "força de vontade" porque ninguém nunca para pra pensar que não é isso que se quer dizer! Triste, não? Eu diria até alarmante...

De qualquer forma, preciso desse negócio que não tem um nome adequado. Alguém tem sobrando? Estou na reserva da reserva do meu estoque...


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21 02 2006
[diario]

E é nessas horas que Wanda o Peixe, o adivinho te diz:

You have, single-handedly, fought your way towards this mess

Pois O Adivinho ele é.


Associação Ubri do Brasil

19 02 2006
[diario]

No fim de semana depois do carnaval eu vou participar do "Encontro Sulamericano de Jovens Umbros". Eu acho que se chama assim, mas é isso que via ser. Não sei de mais nada, só que durante um sábado e meio domingo, jovens de famílias oriundas da Umbria (região italiana) como eu, vão se encontrar, não sei onde, para fazer não sei o que. A única coisa que sei, e aparentemente isso é um dos assuntos mais importantes entre os Umbros, é que o almoço de Sábado vai ser pago por eles. Na verdade eu nem sei quem são "eles", eu estou supondo que é a Associação Umbri do Brasil, da qual meu pai faz parte.

Eu vivo me metendo nesse tipo de coisa. Pode ser muito bom, pode ser muito chato, pode ser muito médio. No idea. Veremos.


Horário de verão!

19 02 2006
[diario]

Ei! ganhei uma hora hoje! Acordei achando que eram 8:30, pensando: "m****, já não vai dar tempo de fazer tudo o que eu preciso de manhã...". Fui tomar banho, café, lavar a louça, e aí sentei na frente do pc, abri o Gmail e qual a minha surpresa se não que ainda eram 8:30! Horário de Verão me salvou uma hora! agora é tratar de ser produtivo!


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18 02 2006
[diario]

Sabe, eu preciso de algo para anotar coisas em quanto estou no carro... quando eu for para os Estados Unidos vou comprar um pen drive/mp3 player com gravador de som para gravar meus pensamentos enquanto ando pela cidade...

Hoje eu pensei em uma porrada de coisas pra escrever aqui e não me lembro de mais nada... Será que a humanidade ganhou ou perdeu com isso?

Post Scriptum: eu quis dizer que vou gravar a mim mesmo falando o que estou pensando, e não meus pensamentos diretamente. Só para não causar espanto a ninguém

Interações

17 02 2006
[diario]

Hoje fui à Santa Ifigênia. Parei num estacionamento a dois quarteirões da Santa, como eu sempre faço pra economizar (R$ 3,00 a primeira hora e R$ 2,00 as próximas!). Passei naquele lugarzinho perto do fim da rua Aurora onde há uma esquina de 5 ruas, e onde tem uma loja de artigos pra bruxaria na frente de um puteiro. Tirando o fato de que eu gosto mais de Sampa do que daquele lugar, e que eu tenho tendencia a achar que São Paulo é mais limpa do que ali, mais primeiro mundo e tal, tem vários aspectos da cidade resumidos lá.

Primeiro, é um lugar com tudo pra ter um trânsito caótico, mas os carros até que fluem bem. Claro, na hora do rush tem trânsito, como em todo o centro, mas não tem maluquices, gente saindo na contra-mão, etc. As pessoas esperam o farol, passam e beleza. Ao mesmo tempo, tem um monte de gente a pé atravessando ao mesmo tempo, mas tudo se resolve e as pessoas vão seguindo. Como em todo o resto de São Paulo: carros demais, pessoas demais, gente na rua, má organização da infraestrutura, mas no fim das contas, não fica gente se pegando toda hora e quase sempre todo mundo chega em casa (quem achar que São Paulo tem trânsito louco vai pra Lima pra ver).

Continuando, além do trânsito e pedestres, naquela esquina passa de tudo. Desde a bruxa da loja de feitiçarias conversando com uma prostituta da região, até o engravatado que acabou de ir buscar seu aparelho de som de última geração na dita Santa, sem omitir os office boys, pessoal de informática, compradores das lojas da Santa, pessoal da área de contabilidade (a receita federal é ali do lado), etc., etc. e etc.

Por último, o que mais faz aquele canto de São Paulo resumir a cidade, é que, apesar de toda a diferença entre as pessoas que passam por lá, existe uma certa interação entre elas. As pessoas falam umas com as outras, pedem as horas, perguntam coisas, sem timidez, sem estarem desesperadamente precisando, e sem desrespeito. Quando eu estive nos Estados Unidos e na Europa, essa foi uma das diferenças marcantes que eu reparei. As pessoas lá não se falam na rua. Isso é uma coisa de América do Sul (pelo menos até onde eu sei). Eu adoro prestar atenção nessas interações.

Anteontem o carro parado na minha frente estava tocando uma música, e um cara que veio passando andando resolveu sair dançando! Bem cara de propaganda ou clip de música, sabe? Hoje tinha um palhaço com um bumbo andando ali pela rua dos Andradas mexendo com as pessoas que passavam. Onde mais eu vou ver essas coisas?


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13 02 2006

Postar coisas no blog é terapia. Estava aqui fazendo a lista das minhas pendências. Quando forem resolvidas serão postadas, não por mim, mas porque pessoas podem entendê-las errado antes que eu as resolva.

Mas o ponto é que eu vi o seguinte: eu sou muito mais bundão do que eu estava imaginando. Grande parte dos meus problemas é causada por causa do trabalho, e não deve afetar minha vida pessoal. As perspectivas sobre resolver estes problemas (de um jeito ou de outro) são boas.

Portanto, o que raios eu estou esperando?

É calçar os tênis e sair pela porta.



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