Greves e Ocupação

01 06 2007

Ok, eu podia ter escrito sobre isto antes, mas essas histórias de greve na usp me irritam de uma tal maneira, que tenho evitado até de pensar nisso.

Não tem sido difícil, porque, como é de conhecimento geral na comunidade uspiana, "A Poli não Pára".

Mas, as pessoas fora da USP às vezes me perguntam coisas, e eu me sinto na obrigação de estar pelo menos levemente informado.

Bom, minha opinião, este ano como nos outros é a mesma: um bando de pessoas nada sérias está no comando, e só isto já deveria ser o suficiente para ninguém mas apoioar esta balbúrdia.

Concordo que isto é um pouco radical da minha parte, então, para quem não tem vontade de colocar um princípio na frente de coisas mais mundanas, fui dar uma olhada nas ditas coisas, ou seja as reinvidicações dos meus colegas.

O Carro Chefe dessa greve/ocupação são os decretos do Serra (pelo menos oficialmente, veremos semana que vem isso). Então vamos lá, qual é o conteúdo desses decretos? Basicamente, a criação da nova secretaria do Ensino Superior, obrigação de prestação de contas em tempo real. O resto dos decretos não se aplica à Universidade.

Os últimos argumentos dos ocupantes da reitoria (que podem ser lidos aqui) são que a publicação dos decretos:

  • não constava do programa de governo de Serra, nem foi levantada em sua campanha eleitoral;
  • não houve discussões prévias com a comunidade uspiana;
  • sua necessidade para aprimoramento do ensino é das mais discutíveis no caso da USP, que estava mantendo a excelência de sua produção acadêmica e vinha expandindo vagas;
  • além de aparentemente desnecessário, o decreto continha graves lacunas e imprecisões, só sanadas com as alterações efetuadas depois da promulgação.

Ou seja: ninguém me avisou, eu não entendi, e agora que eu entendi não tenho nada contra a falar.

O que me leva de volta ao "pelo menos oficialmente". Já vi várias greves na USP, e todas elas se resumem às mesmas coisas: funcionários querendo aumento de salários, professores querendo melhoras na estrutura e aumento de salários, e alunos (principalmente moradores do CRUSP) pedindo melhoras na condição da moradia estudantil e nas faculdades "menos priorizadas" e aumento de salários. Quer dizer, não aumento de salários porque eles não ganham salário, mas se ganhassem estavam pedindo, pode ter certeza. Basicamente, as greves todas acabaram com (pasmem) um aumento de salários.

Alguém pode argumentar que o aumento de salários é uma causa justa para se fazer greve, e que a Universidade Pública tem que ser mais bem tratada. Concordo, tirando que, vários desses funcionários e professores que estão pedindo aumento de salários são, na verdade uns vagabundos (digo isso sem dó nem pena, porque dependo deles e convivo a 5 anos com eles) que vivem na vida mansa e nem sequer estão indo a piquetes, greves, assembléias e etc, e vão se aposentar e serão sustentados pelo resto da vida com nossos impostos.

A Universidade tem que ser bem tratada sim, e o melhor jeito é mantendo uma transparência e um controle externo, não intervencionista, mas questionador das políticas aplicadas dentro da Universidade, que é o que os decretos do Serra estão proporcionando.

Finalmente, para quem quer saber um pouco mais, pode entrar nesta página do Estadão, com um resumo sobre os decretos, e no Blog da Ocupação, para um pouco de hipocrisia matinal.

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Fotografia

14 05 2007

Eu amo música. Amo de verdade, não por força de expressão. Artes gráficas são uma coisa que eu gosto. Não me entenda mal, eu gosto muito, mas é diferente, é uma coisa mais racional do que com música. Isto não é melhor ou pior, são dois jeitos diferentes de me fazer feliz, e quanto mais jeitos, melhor, não?

Bom, e o fato de eu gostar mais racionalmente de artes gráficas, me faz tender a gostar mais das obras pensadas do que das obras sentidas. Estive divagando (como eu costumo fazer dirigindo, principalmente à noite sozinho), e cheguei à conclusão que deve ser por isso que gosto tanto de fotografia.

Fotografia é a mais "engenheiristica" das formas de arte. Você pode argumentar que a nova arte digital, que usa computadores e efeitos visuais, é mais técnica do que a velha fotografia, mas eu digo que poucas são as formas de arte que exigem pensamento tão técnico do artista na hora de criar. Um desses poucos exemplos talvez aqueles "plugins de vizualizações" do winamp e similares (aquelas formas bonitas que ficam mudando conforme a música).

Quando se vai tirar uma fotografia, geralmente você tem que pensar em ângulo, zoom, distância focal, lentes, isso sem falar nas famosas abertura e exposição, que tanto assolam nós pobres amadores. Queira ou não, você acaba pensando em sensibilidade de filme, iluminação natural, olhos vermelhos.

Hoje em dia, se alguém se propusesse a divulgar uma forma de arte que obrigasse o artista a pensar em tantos detalhes e entender tão bem o funcionamento do seu "pincel", duvido que isto iria muito para frente. Nem os novos fotógrafos pensam muito nisso. Com as máquinas digitais, tudo fica muito mais tentativa e erro, já que você pode ver na hora se sua foto saiu escura ou queimada, ou fora de foco. É como com um quadro: se você der a pincelada, já sabe se ficou bom ou ruim.

Por um lado isso é bom: populariza, faz com que gente que não tinha o conhecimento ou o saco para pensar nessas coisas passe a fotografar, trazendo para o mundo da foto visões diferentes, de um tipo de gente diferente. Por outro lado, também é bom, pois nada impede de você ainda sair pensando nos parâmetros técnicos de uma foto.

O que? Estava esperando alguma polêmica, ou que eu reclamasse de alguma coisa? Hoje não... tem coisas direitas no mundo.

uncut (by puja)


Obs: screenshot do plugin AVS do Winamp do El-vis (site oficial), chamado Golden. Foto por puja.

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